terça-feira, 4 de setembro de 2012

A FELIZ INFELICIDADE


“Que venha a quarta feira com seus obstáculos e lutas diárias.
Pois saiba que será bem vinda, pois aqui há um lutador . “

A FELIZ INFELICIDADE
Eustáquio Braga

Ando sempre descalço
Gosto de sentir o chão
Quem sabe a textura da terra

Houve uma época em que não tinha o que calçar
Essa época passou...

Mas no momento
Quando ainda estou nervoso
Retiro lentamente o calçado
Ando pelo terreno mais arenoso
Quanto mais pedregulho tiver
Melhor será

Pois sei que no meu caminho
Sempre haverá pedras; buracos; e, bueiros
Água suja empossada; detritos; e, até, excrementos...

Sem falar nos obstáculos
Nos pregos jogados ao longo da estrada
Repetindo os confrontos e as mesmas ciladas

Tudo isso me faz sentir guerreiro
E errando me sinto um pouco mais humano, será?

Se tu queres ser meu inimigo?
Entre primeiro na fila;
Pegue uma senha;
Se der sorte, quem sabe nessa vida,
Tu terás o privilégio de me derrubar
Derrotar jamais, nem morto.

Não tenho pés; tenho casco.
Não tenho unha; tenho Garra.
Sou duro na queda
Resistente ao maltrato
Se tu aspira a morte
Essa eu engulo e trago...

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

FACES DO VIVER




Já vivi muitas vidas
Mas a principal ainda não vivi
Você é tudo que idealizava
Não posso dizer se era tudo que desejava
No momento
Fico preso ao passado
Quem sabe ao presente
Mesmo sabendo que
Tudo pode acontecer
De repente o mundo se transformar 
Em fantasia
E tu podes ser o futuro
De um amanhã que jamais chegará
Ou quem sabe
Um hoje esquecido
Quiçá ignorado
O ontem ficou para trás
E quem sabe um dia
A gente se encontre de novo
E pode ser que dessa vez
Nós tenhamos uma oportunidade
Dizer adeus é fácil
Difícil é prolongar o sonho
Se tu nunca dormes
É impossível ter pesadelos
Mas se passivas assim o for
Ativo talvez serei
Mesmo em sonho
Quando me vejo
Vivendo-te...


sábado, 19 de maio de 2012

Galo: uma vida de paixão


Quando nasci, não tinha noção do amor e do carinho que teria por um clube. Na verdade, até os sete anos de idade não sabia o que era futebol, pois nunca tinha visto. Minha mãe saía para trabalhar e deixava eu e minha irmã presos em casa e voltava tarde da noite. Eu somente ouvia falar de futebol pelas notícias de rádio. Os meus tios se diziam cruzeirenses, mas não via nos seus sembrantes qualquer emoção quando falavam do cruzeiro. Mas somente de ouvir falar do Galo, pelo rádio, pois não tinha televisão em casa, sabia que ali, naquelas palavras de emoção dos locutores, estavam o sentido da vida. Assim, pode resumir que a minha vida tem um divisor de águas, ou seja, antes e depois do Galo e tudo começa assim:

Fui abandonado pela minha mãe exatamente no ano de 1971, o ano do Galo. Ano do primeiro campeonato brasileiro nos moldes disputados até hoje. Minha mãe nos deixou: eu e minha irmã, para passar as férias na casa de nossa avó paterna e nunca mais nos buscou. Acho que essas férias está durando até hoje, pois ela já faleceu e, agora, certamente não quero que ela venha me buscar.

Todavia, no ano de 1971, pude assistir pela primeira vez um jogo do Galo e pude vê nas ruas o que era a alegria de ser Atleticano. A maioria das pessoas que moravam na casa a minha avó paterna era composta de Atleticanos. E veja que eu nem sabia o que era o futubel, ou seja, o meu amor pelo Galo veio antes do amor pelo esporte: o futebol.
Depois, aprendi com a molecada da rua a jogar futebol. Passei a ir aos estádios para assistir, não o futebol, mas ao Galo. Esse foi o meu primeiro vício: o Galo. Me apaixonei com o grito da "massa"; pelo incentivo nos momentos difíceis; pela explosão de alegria quando balançávamos as redes adversárias. Mas lembrem-se que não me tornei atleticano pelo modismo da época devido ao excelente time que foi campeão nacional. Vi o Galo e amei o Clube Atlético Mineiro antes do primeiro triunfo nacional. Torçi como nunca pelo Galo. Parecia que o Galo resolveu jogar bola bem depois que eu passei a torcer. Sim, me considero pé-quente, pois somente após eu ser apresentado ao Galo que ele ganhou um título em nível nacional. Aliás, era o primeiro campeonato nacional. Então, para mim, o Galo é o primeiro e único campeão. Não sabia o que era perder, pois no hino dizia:" vencer, vencer, vencer, esse é o nosso ideal. O ideal do Atleticano é a vitória, pois vibramos com alegria das vitórias. Vi grandes nomes surgirem no Galo e  ganharem o mundo. Vi Reinaldo, Cerejo, Marcelo, Paulo Izidoro, Éder, Ortiz, dentre outros que brilharam com o Galo e com a camisa amarelinha.

Mas nem só de alegrias vi o torcedor Atleticano. Vi Galo deixar escapar um título no Mineirão mesmo tendo terminado o campeonato de 1977 invicto. Vi o Galo disputar pau a pau com o Flamengo, mas não conseguir levar o título. Vi o Galo figurar no topo do ranking nacional durante décadas e não conquista mais nenhum campeonato. Mas vencer, vencer, vencer, este é o nosso ideal. Honramos o nome de Minas e não importam os canecos perdidos; o suor espelido; o sangue demado; ou as malas pretas esvaziadas. Sou Galo até a morte. Ou melhor, sou até após morte, pois quero ser enterrado com o manto sagrado cobrindo o meu esquelético corpo sofrido por ter tido tanto amor ao Galo. Talvez, nesse dia o Galo seja campeão e eu nem veja. Mas uma coisa eu saberei que pelo Galo, eu vivi uma vida de paixão e pelo Galo renascerei em espírito para acompanhar o time e a massa onde quer que um Galo cante. Vim , vi e venci, pois vencer é o ideal do Atleticano.

sábado, 25 de julho de 2009

MULHERES


Hoje
Não sou nada
Nada sinto
Tão pouco estou à procura
De coisa alguma
Não sei nada sobre as mulheres
Acho que continuarei tentando descobrir
Ou simplesmente tentarei entendê-las
Até o último dia de minha vida
Sei que morrerei sem saber coisa alguma
Mas ficarei feliz
Por ter tentado...
THACKYN
Mythus est quod superens cum non se explanat homo.
Mito é o que sobra quando o homem não se explica.

ESPETÁCULO

ESPETÁCULO
No palco perco a timidez
Imagino-me num sonho
Na penumbra entre flashes brilhantes e luz neon
Quem sabe num ato rebelde
Tento me revelar...
Ao som da música tecno
À espera de gritos e aplausos...
Não sou profissional de Poli dance
Esconderam-me o poste
Mas deixaram-me a lua
Que ilumina a silueta do meu corpo
No instante que olhos curiosos se quedam inertes
Abraço-me porque sou o show
Carente dos teus toques
Acaricio sem pudores a minha pele
Que parece se arrepiar com os holofotes
No calor que mexe e estremece
Enquanto bocas profanas exclamam íntima prece...
Quem sabe um pedido secreto
Para a deusa sedução
A luz se apaga
Ouço assobios
Gritos e palmas...

POEMAS E RUAS O sumo da palavra: Letras Juntas tornam-se um vício Ofício de Poeta que rima No lume das ruas: Versos Estrofe que finda Em cada esquina


O sumo da palavra: Letras

Juntas tornam-se um vício
Ofício de Poeta que rima
No lume das ruas: Versos
Estrofe que finda
Em cada esquina
No bairro Poesia
Constroem-se obras:
Em cada alicerce
Edifica-se: Poemas
Que soerguem a Arte
Levando o Poeta à eternidade...

Para Tchello
Artista e autor de diversos gêneros com ênfase em poesias concretas e ideogramas. Visite-o no Orkut: http://www.orkut.com.br/Album.aspx?uid=8730064251193088984&aid=1211677021&p=1

Thackyn
Publicado no Recanto das Letras em 27/06/2008
Código do texto: T1053440

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

PARAÍSO పెర్ఫెఇతో [Para Luana Bona


Numa Ilha-bela qualquer
Desejo do primeiro homem
Cheiro de mulher
Perdido no fim do mundo
Elo perfeito da junção de dimensões
O Éden floriu de Blumenau até Floripa
Homem que empina mais uma simples pipa
Ardor que brota da terra
Púbis que invade e arte
Sem causar dor...
Pimenta na virilha dela é colírio
Dos deuses tu és o delírio
Sem folhas ou ramagens
É o outono que te depila
E o vento que rouba o seu gingado
Balançando mais que pelugens
Mulher em pêlo que sede os nossos apelos
Selos que vibram ao toque
Bosque que revela a doce forma da fruta
Morango com sabor de uva
Melões que caem de bananeiras
Melancias que se fazem jaca
Moldura de afixar em ereta estaca
Sou um Adão sem Eva
Um caloroso chimarrão sem erva
Vinho que tomo sem cheirar
Delícia que me delicio sem degustar
Assim é Luana
Menina Lua que brilhou ao sol
Aqueceu a castigada terra
Estremeceu em desatino o céu
Doce pecado do sul
Gentil terra
Generoso estado